quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Não que exista algum jeito de voltar, não existe. Ainda bem. Mas pensar em como eu me sentia ainda dói tanto. Há tão pouco tempo eu me sentia tão furadinha... Um queijinho!

Mas tão podre, por dentro.

E as coisas ficam mais claras e nítidas, quando penso nas coisas que tento desesperadamente deixar pra trás, é que já estão pra trás, deixando tudo e todos, as roupas no guarda roupa, os amigos nas malas... Luto pra não lembrar e não me culpo por isso.

As cores são mais claras e o dia mais fresco agora. Poder voltar pra minha cabeça me alivia TANTO. Assumi a consequência de estar fora, longe, de quem eu consigo ficar e que entende. fora de casa, fora da cidade, fora do país, mas dentro de mim, do meu lugar seguro, onde me reeduquei, reaprendi a me cuidar e me gostar, parar de tentar me destruir, cheia de amor.

Antes era tanto ódio, por tudo e por todos, tanto ódio corroendo as mínimas ruínas de mim que eu sequer entendia que era ódio.

Sinto falta sim do que há tanto tempo não existe mais, antes das festas e dos ácidos derretendo meu cérebro e do contato com tanta gente tão estranha... Finais de semana com minha mãe e com o cachorro, dormir em casa, assistir filmes independentes, não conhecer nada e ninguém. Não conhecer nada e ninguém, mas conhecer de mim o que estava lá.

Agora só falta esperar. Esperar as cicatrizes fazerem parte da minha pele, esperar parar de arder...

Ainda bem.

terça-feira, 21 de março de 2017

liláceo


é cinza


tudo ao redor é cinza
tudo ao redor é cinza e triste
tudo ao redor é triste
é cinza
é a tempestade que afugenta
esse sol que te alimenta
há quem se orienta
a sair dessa tormenta

é liláceo. o estranhamento imediato de uma figura bagunçada. por vezes calada, por vezes armada, mas nunca silenciada. é liláceo.
eu te amo desde a primeira vez.
(pela minha irmãzinha mais velha, que nunca saiu do meu lado...)