domingo, 23 de outubro de 2016

Hoje é domingo. Mas não pra mim.

A moça morta do quiosque de donuts não tem pressa nenhuma em me servir o pão de batata que será meu café da manhã. Afinal hoje é domingo, ninguém tem pressa, mas hoje não é domingo pra mim.

No metrô os velhinhos se acotovelam temerosos em direção a escada rolante (me disseram que essas pessoas são do tempo em que escadas rolantes engoliam pessoas: a juventude não titubeia).

Uma jovem mãe e seu filho conversam sobre um churrasco de domingo, "mas não é churrasco", "mas você disse que era". Todo mundo faz churrasco no domingo, mas eu não sou todo mundo.

Deixei o homem dormindo na cama, o que se prolonga até a tarde, afinal todos dormem até mais tarde no domingo, levantei da cama antes do meio dia.

Liguei para mamãe, que fazia almoço e as tarefas domésticas, domingo demais.

Encontro um casal de amigos no caminho (caminho de quê?), passeando no sol da tarde de um domingo azul.

Mas não pra mim.

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