segunda-feira, 29 de junho de 2015

"And friends, well I could have better ones" neither.

A mancha no vidro

Havia uma mancha, no vidro do meu óculos. E  eu não sabia que era mancha. Eu via tudo, o mundo, tão lindo!, e a mancha no vidro do meu óculos me acompanhava e eu pensava: "minha eterna companheira, aonde quer que eu vá, em todas as paisagens este ponto está!", acompanhada e feliz pensei ver melhor!, tola. Sem querer um dia, os óculos eu tirei, a manchinha me deixou! Numa tristeza grande mergulhei, parei de ver, olhar, perceber, não quis, estava deprimida demais, meu ponto fixo me deixara! O porto seguro! Sempre ali... Um dia, de inocente acordei e vi, quanto a mancha me escondeu, quanto não vi por ela estar ali, detalhes que deixei passar! Descobri que minha paisagem era mancha que ofuscava a vida por fora do vidro do óculos, descobri que estava enganada por tanto tempo! Sofri mais um pouco. Findado o sofrer passei a perceber. Estava livre, estou livre. Agora posso ver.
eu precisava dele aqui, precisava que ele tivesse vindo, ele não veio.
se você estivesse calaria o barulho da rua que me acorda,
e eu preciso dormir.


"Quando eu não quiser mais te ver
é só deixar por você"

Figuras da praça I

O homem da cachaça

O homem da cachaça
na rua da praça
está sempre bêbado,
com sua bicicleta
e seus vidrinhos...

A bússola

Eu tenho uma bússola no meu estojo de lata
quando eu o abro ela está lá, rodando, rodando...
Seus pequenos ponteirinhos roubados!

Se eu estiver triste ou feliz

Amor não é assim!

O meu amor tão puro
agora tão tóxico
Quando chega ao fim!

Antes que era água, e era doce
agora é (ou sempre foi)
veneno tão ácido.

Foi amor?
Já não sei... Não tem porque
Amor não é assim!

Meu bálsamo agora queima...
e queima tanto...

e o que sobrou eu atearia ao fogo,
e o que sobrou eu exterminaria,
o que sobrou eu esqueço com raiva
e ódio
e cólera

Amor não é assim!
Nada faz sentido,  nunca fará
Nem seus beijos, nem o calor da sua pele
o cheiro dos museus e dos teatros

não faz sentido o se deitar
Tudo é perda
minha alma balançando em um som
minha mente dopada
As músicas, nada

Te amar, amar
Ficar
Nada fez, nunca faz
É assim que a gente vai ficando sozinho
perde pouco a pouco o que nos é prezado.

 O grande amor você perde.

 Os amigos decidem por si, apenas presentes nos momentos que lhe são convenientes.
Você imagina, pequena!, tê-los cativado, confia-lhes tudo
e o carinho se perde no tempo junto com o tropeço que você deu um dia.

 E no meio do luto por tantas coisas, em que nenhum telefonema você recebe
você, agora sim, percebe:
não como pensamos que era ver,
como era ver quando tinhamos o grande amor,
agora ver a verdade, ver de verdade

Ninguém muda por ninguém.
Ninguém faz nada por ninguém.


 "Feliz aniversário!"