sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Sem título

No anel que é o meu corpo penduro suas mãos que são vaidade. No pescoço que é o meu corpo penduro seus dedos que sentem vontade. Nos pés que são o meu corpo aplico vidrilhos que são seu orgulho, e piso no chão. No pomar que é o meu corpo represento Tarsila que é sagacidade. No ar que tem meus pulmões pulverizo o veneno do seu hálito doce e febril. No epitáfio do meu corpo morto transcrevo sua repetida e sem valor poesia. Esconde o seu amor! Esconde as velas debaixo da cama, mas põe fogo. Desde antes já tudo queimar, deixa acabar esta disritmia. Vou dormir.

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