sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Para nadie

Incrível como dois e dois
as coisas clareiam na escuridão absoluta e no penar sincero do meu coração partido. Daqui vejo a baía iluminada pelas lanternas da cidade, as estrelas, os pobres, os ricos, os desenganados e os desiludidos. E eu não sou ninguém, nunca fui (mas enxergo). Faço uma prece, choro. Rabisco no uniforme do comandante palavras inúteis e choro. Choro de pequenez e choro por pertencer, insignificantemente balançando nas ondas do Atlântico; só eu e Deus sob as estrelas frias e as mensagens de perdão. Choro.


Choro, choro, choro.
Mais.

Sob nenhum teto e numa folha quadriculada somo os x aos y da minha vida, choro de agradecimento. Choro sem lágrimas e muitas vezes sem tristeza. Choro de nervoso e de cansaço. A cabeça, roque-roque, mas as ondas chiam, chuam, choram também las ondas del mar.

Lloran las ondas como en mi cabina, penso.
También pensan las ondas en mi cabina.
También lloran en el mar los pensamientos de Dios.
Solo no lloran los embriagados debajo de sus tetos y casas,
solo no los importa nada cuando el alcohol los consuma.

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