terça-feira, 11 de novembro de 2014

Casacos e chapéus

As pessoas entram na sua casa.

As vezes as convidamos, as vezes entram devagar, se infiltrando,
alguns não são bem vindos em primeira instância,
nos acostumamos com sua presença
passa a ser agradável.

Penduram seus casacos e chapéus no mancebo perto da porta,
sentam-se a mesa, no canto da sala, perto das cortinas, discretamente,
nos afeiçoamos a ela.

Horas de conversa, silêncios trocados e
a afeição, o carinho.

As pessoas não podem ficar pra sempre.

Levantam, vão embora.
Deixam o cheiro do perfume, sutil.
A lembrança de um toque.
Um sorriso...

Levantam, vão embora, voltam algumas vezes.
A afeição sempre fica com as fotografias.

Levantam, vão embora pra sempre.
As odiamos por se fazerem tão presentes
"Como pôde esvaziar a casa assim?"

Inútil tentar apagar sua presença,
limpamos o rastro, o perfume, as fotos e as lembranças,
estamos prontos para sair,
mas no mancebo perto da porta...

Ah! O casaco, o chapéu!
(e mais uma noite de choro)

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